ENTREVISTAS

 

O LUGAR CERTO DA ARTE PARA EVENTOS

 

 

      Por Suporte de Elenco

 

Fotos: Wagner Pelleginni

Com Márcia Maria

 

Uma diversão?
Viajar para qualquer lugar e cinema.


Um bom prato?
Arroz com feijão, abóbora e camarão.


Uma boa leitura?
Fernando Pessoa e Cecília Meireles. Gosto muito de poesia, mas leio autores sérios, romances também.
Tudo que cai na mão, eu leio. Eu sou uma neurótica por leitura.


Uma boa música?
Todas as músicas são boas, não é? Todos os gêneros de musica são bons, mas eu prefiro a música romântica. Eu gosto de MPB.


Um bom amigo.
Eu tenho tantos amigos. Eu tenho esta felicidade na vida de ter tantos amigos. Eu tenho o Palhinha, que é um escritor, é um filósofo. Se eu começar com a minha lista de amigos aqui, eu não paro mais, e vou cansar vocês.


Como foi o inicio da sua carreira?
Foi inesperado. Eu precisava trabalhar e eu estava passando em frente a Rádio Nacional de São Paulo. Aí, eu perguntei: o que é isso, hein? É a Radio Nacional. Será que tem emprego para mim? Eu não sei fazer nada, mas eu aprendo com muita facilidade. Me disseram: tem um locutor chamado Trajano Reis, que vai entrar em férias. Faz um teste aí, de repente, você faz as férias do Trajano. Eu fiz o teste e passei. Mas eles esqueceram de perguntar a minha idade. Eu tinha 12 anos. Quando o Trajano voltou, eu saí e gostei da estória de falar com as pessoas.

Outro dia, passando em frente ao Canal 7, não nesta Record, na Record dos “Carvalho”. Eu também parei e pedi emprego de garota-propaganda. Eu fui a pior garota-propaganda que o mundo já conheceu, mas fui tão engraçada que eu acho que “peguei” e deu certo por isso, por eu ser engraçada. Naquele tempo não tinha Vídeo Tape, era tudo feito ao vivo. Cada vez que uma geladeira quebrava, eu chorava. Quando eu não conseguia tocar o piano, eu explicava para o público o porque eu não estava tocando o piano. Eu era uma tragédia. Mas deu certo, porque as pessoas começaram a gostar de mim.
Então, eu comecei a fazer programas de rádio na Radio Panamericana, que hoje é a Rádio jovem Pan e na Rádio Record. Fazia também programas de entrevistas com Silvio Lancelotti, com Alberto Leana Jr. e com outros jornalistas. Mais tarde, me deram um programa chamado “A Mulher dá o recado” que tinha 3 horas e meia de duração e acontecia todo o dia. Foi o começo desses “Talking Shows”.


Fale um pouco da televisão dos anos 60 e 70? Era muito diferente do TV atual?
Tudo evoluiu muito, não é? Nos anos 60 a 70, principalmente nos anos 70, as pessoas eram muito mais ligadas umas às outras. Você tinha que decorar textos, então, isto facilitava a ligação, porque você tinha que repassar o texto com seu colega de trabalho. O trabalho das pessoas era levado extremamente a sério porque não tinha esta coisa de errar e voltar. Ou você sabia fazer uma coisa ou não sabia. Você era ator ou você não era. Não tinha como camuflar. Hoje tem algumas coisas que se podem camuflar. Apesar, que eu acho que os grandes atores serão sempre maravilhosos.


Fale um pouco dos cantores, artistas e personalidades com quem você conviveu durante a sua carreira.
Eu tive a sorte de trabalhar com Agnaldo Rayol nas “Pupilas do Senhor Reitor”, que é um tremendo bom caráter, um amigo maravilhoso que eu tenho. Eu tive a sorte de conhecer pessoas boas, bonitas, de bom caráter, bons atores. A própria família Carvalho, que é uma família maravilhosa. Eu conheci o Carlos Eduardo Falabella, o Lima Duarte, Cleide Yacones, essa atriz maravilhosa. Conheci o Adriano Estuarte, que é um excelente diretor e ator. Conheci Geórgia Gomide, com quem trabalhei em “Pupilas do Senhor Reitor”, Maria Stella, que esta trabalhando até hoje, Suzana Vieira, Dionísio Azevedo, que a nova geração não conhece, mas foi uma pessoa maravilhosa. Conheci Chico Burque, Djavan, Maria Betania, Roberto Carlos, Erasmo Carlos. São pessoas lindas, puras, que estavam começando na carreira, preocupadas com filosofias de vida, quando hoje em dia, as pessoas estão mais preocupadas em como viver. Eu sou uma pessoa privilegiada, realmente, porque eu trabalhei com gente tão bonita, tão importante, que me ajudaram tanto na vida.


Em qual experiência você se identifica mais: como apresentadora ou como atriz?

Eu sou uma atriz, mas sou uma apresentadora também. Eu tento fazer as duas coisas bem. Eu sou uma diretora de teatro e não sei se sou tão boa, mas, as peças que eu tenho produzido, para crianças e adolescentes, tem dado certo. Não sei em que sou melhor. Eu sei em que sou pior: como garota-propaganda. Mas para os produtores de propaganda, um recado: não fiquem achando que eu não mudei, pois, eu mudei sim. Hoje, sou capaz de fazer uma propaganda sem chorar, sem me descabelar e vender o produto.


Quais são as melhores lembranças em sua carreira?

Acho que foi o primeiro dia que eu entrei na Record, pedi um emprego e fui aceita.


E as menos interessantes?

Foi quando eu voltei do exterior e percebi que tudo havia mudado, que o brasileiro, este povo maravilhoso, infelizmente, tem memória curta. Tudo tinha mudado. Eu fui pedir emprego e liguei para os amigos os quais tinham influência nas emissoras e não eram mais eles que estavam lá. Quem estava lá, tinha memória curta e não sabia mais quem eu era. Eu fiquei muito tempo fora. Foi um momento muito triste.


Conte um fato engraçado ou curioso de sua vida profissional.
Acontece comigo todas as coisas mais loucas. A ultima coisa que eu fiz em televisão. aqui no Brasil, foi no SBT. Tinha uma cena à noite e eu estava sentada em uma cadeira, esperando a minha hora de gravar. Eu fazia uma velhinha magrinha, muito irritada. Então, na hora de gravar, a cadeira caiu em cima de um galho de árvore. Todo mundo gritava para me levarem para o hospital. Me puseram em um carro e me levaram imediatamente para o hospital. Eu só pensava em que horas eu ia sair dessa gravação externa. Muita coisa aconteceu comigo e tudo foi muito engraçado. Eu sempre fui rodeada de pessoas muito boas que sempre cuidaram de mim. Eu acho que tenho um jeitão de quem precisa de proteção.


Qual dos seus trabalhos lhe trouxe mais realização e satisfação?

Em televisão: Os inocentes, As Pupilas do Senhor Reitor, as Pupilas 40 anos depois, onde eu fazia uma velha de 80 anos e fazia a neta desta velha, com 18 anos. Foi um trabalho bom. As novelas que eu fiz foram ótimas. No teatro, tudo marcou, porque teatro é uma coisa muito séria. Eu fiz “Morte e Vida Severina” e o papel marcou muito na minha forma de pensar, cantando e acreditando realmente naquilo.


O que é importante para manter uma carreira na televisão?

Primeiro, é você ser bom naquilo que faz. É você levar muito a serio a televisão, é ser um profissional competente. Segundo, é você ter amigos dentro da televisão, senão você vive em uma solidão e não tem ninguém na hora “H”. Você fica solta no espaço. Então, o importante é ter amigos, ser um bom profissional e dar pouquíssimo trabalho á equipe.


Com quem você gostaria de trabalhar em teatro?
Eu gostaria de trabalhar com Manuel Carlos, que eu conheço e sei de sua capacidade e sua inteligência, pois é um grande diretor, ou com o ator e autor Falabella. Ele tem um “affair”, sabe? Ele tem um toque especial em tudo que faz.


Como foram as suas viagens para o exterior?

Todas foram bem. O problema é que sempre eu viajo sozinha e estou aprendendo com o meu sobrinho a viajar em grupo. As fotografias que eu trago da China, Japão e Tailândia, de todos os lugares, são sempre de paisagens, sem a minha presença. Eu acho que o que você leva de mais importante da vida, é aquilo que você lê, aprende e vê nas viagens.


Quais os planos atuais para a sua carreira?
Estou sem planos para a carreira. Me convidaram para fazer uma peça no Rio e outra em São Paulo, mas eu estou pensando a respeito. Eu espero que alguém me convide para a televisão.


Interpretar é uma missão?
Viver é uma missão.


Uma mensagem para a humanidade?
Eu tenho notado que as pessoas estão perdendo a religiosidade. Estão esquecendo de amar a si, a Jesus e ao próximo. Ao próximo como a si mesmo. As pessoas estão ficando muito individualistas. Não é assim! Você é irmão do seu próximo. Você tem que saber que você compartilha de uma coisa chamada humanidade e que tudo que os outros sofrem, faz parte de você. A mensagem que eu deixo é “amai-vos uns aos outros”.

Veja os momentos da carreira de Márcia Maria: Clique Aqui

Veja imagnes desta entrevista em vídeo em nosso canal no YouTube: http://www.youtube.com/user/suportedeelenco?feature=mhee

Voltar